GUIU EM PEDAÇOS

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Algumas boas palavras permanecem....sempre em nossos corações!
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17 de abr. de 2011

Bando Flores da Massa


Sinésio, lucas, inácio, fabiana, adilton, marcela, marcelos,priscilla, gilvanei, paula, wilson, lévi, thiena, tiago, raimundo, roberdã,thaís, fernando, fernanda, tito, amanda, filipe, samira, ozório, manuella,
mônica, marta, wagner, tatiana... e tantos outros que passaram e os que estão por vir...
Com quantos nomes, corpos, desejos, dejetos, tropeços, afetos, sorrisos,
se reinventa mundos, uma vida, um laço?

Pôxa dôtô... eu queria uma cueca, uma escuta, uma toalha, uma camisa, um telefonema...
quem sabe um abraço.

Rápido, peguem as faixas, as faixas, segurem, segurem, amarrem o braço, a perna, a cabeça,
a seringa, o fenobarbital, uma injetável...
alguém pode injetar um pouco de paixão na minha vida?
 
Que falta nesta cidade? … Verdade.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha. 

Aahhh Salvador, gregório ri satiricamente do inferno que fazem de ti,
ó cidade de todos os santos... que, às vezes, pareces ainda esperar pelo São Salvador - faz pouco tempo, tinha nome de João, não o Batista, mas o mui amigo do jacques, não o Lacan, mas o xará.

Não tem comida nos Caps, não tem psiquiatra nos caps, não tem salário decente nos Caps,
não tem vergonha na coordenação de saúde mental, não tem
não tem não tem não tem...

O Teatro dos Insênicos está sem apoio, sem grana para transporte... o governador vai do palácio de Ondina ao cab de helicóptero, afinal, o trânsito desta cidade louqueja qualquer um, até o excelentíssimo!

 Quais são seus doces objetos?... Pretos.
Tem outros bens mais maciços?... Mestiços. 

O Bando Flores da Massa invadiu a praça, antes e sobretudo porque este é um hábito baiano,
o de ocupar os largos para dançar, prosear, beber, rezar, e outras cositas mais.
 
Mas Simão ainda segura o bacamarte em frente à estátua de Juliano Moreira,faz sessão clínica, e o cinismo quase camufla as grades pintadas de cor-de-rosa, não fossem as vozes que tilintam os tímpanos de quem por ali passa.
 
E no Largo de Santana o bando tocou Zaqueu, alguém gritou toca Rauuullll...e o bando tocou Raul, Gil, Edson Gomes, Bob, Amado Batista, e o povo dançou... e foi lindo. e mais belo ainda é se dar conta de que é possível construir algo, uma expressão estética, arte e cultura, ética do “fazer juntos”, produção coletiva, para além da pobreza do ego e da mesquinharia interesseira politicalesca.
  
Wagner Ferraz.

  Palavras dedicadas a José Menezes, que quase foi enterrado como indigente, depois de ficar semanas no congelador do Hospital  Roberto Santos, até que a burrocracia do estado liberasse seu corpo, pois, mesmo depois da morte, não lhe deram sossego. Causa mortis:pneumonia, disseram. Deve ter sido a frieza demasiada humana do Hospital Juliano Moreira que lhe produziu uma pneumonia, após décadas de doses cavalares de haldol injetável.

5 de mai. de 2010

RIVOTRIL

Alguma coisa estranha deve estar acontecendo quando um remédio contra a ansiedade – tarja preta, vendido apenas com retenção de receita – se torna o segundo medicamento mais consumido no Brasil. Esse remédio é o Rivotril, que tem 35 anos de mercado, mas nos últimos cinco escalou rapidamente o ranking dos mais vendidos até chegar ao segundo lugar. Em 2008, os brasileiros compraram nas farmácias 14 milhões de caixinhas do ansiolítico (o campeão de vendas é o anticoncepcional Microvlar, com 20 milhões de unidades). O Rivotril bate remédios de uso corriqueiro, segundo o IMS Health, instituto que audita a indústria farmacêutica. Vende mais que a pomada contra assaduras Hipoglós, o analgésico Tylenol e outros produtos que os consumidores colocam na cestinha sem saber se algum dia vão usar.
O sucesso espetacular do Rivotril no Brasil não ocorre com outros medicamentos da mesma categoria. A classe dos tranquilizantes é a sétima mais vendida no país – vende menos que anticoncepcionais, analgésicos,
antirreumáticos e outros tipos de remédio. A clara preferência pelo Rivotril é um fenômeno brasileiro, que não se repete em outros países.

A escalada desse ansiolítico na lista dos mais vendidos sugere que a população em sofrimento psíquico pode ser maior do que se imagina.
Transtornos de ansiedade e depressão são comuns nas grandes cidades, castigadas pela violência, pelo trânsito e pelo desemprego. Mas a pesquisa São Paulo Megacity, uma parceria do Hospital das Clínicas de São Paulo com a Organização Mundial da Saúde, revela que cerca de 40% dos moradores da região metropolitana sofre de algum tipo de transtorno psiquiátrico. É um porcentual que os próprios psiquiatras consideram “assustador” – e que depõe frontalmente contra a imagem de “nação feliz” que os estrangeiros e nós mesmos, brasileiros, gostamos de cultuar.
O segundo problema que leva à indicação excessiva do Rivotril é a precariedade do atendimento de saúde brasileiro, sobretudo de saúde mental. Há falta de psiquiatras no país. Consequentemente, as pessoas não recebem diagnóstico correto e não têm tratamento adequado de seus problemas. Quando o paciente chega ao consultório com enxaqueca, gastrite ou qualquer outra queixa que possa ter alguma relação com ansiedade, frequentemente ganha uma receita de Rivotril. “Os médicos fazem isso porque o remédio é barato (a caixinha mais cara custa R$ 13), antigo e seguro”, diz Luiz Alberto Hetem, vice-presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. “Mas ele pode mascarar quadros mais graves.” O ansiolítico acalma e atenua a ansiedade, mas os problemas subjacentes não são diagnosticados. “Grande parte das pessoas nem sequer sofre de ansiedade. A depressão é muito comum”, afirma a psiquiatra Mônica Magadouro. “Mas o atendimento é tão precário que nem se nota a diferença.”
O terceiro fator que contribui para a venda de Rivotril é o que o psicanalista Plínio Montagna chama de “glamorização do ato de medicar-se”. No passado havia preconceito contra os remédios psiquiátricos. Recentemente, houve uma guinada cultural e eles passaram a ser vistos como resposta a todos os problemas da existência. Os médicos (sobretudo os que não são psiquiatras) receitam remédios psiquiátricos com total desenvoltura. Da parte dos pacientes, também existe a expectativa de que isso aconteça.Todos têm pressa.
“Emoções normais e importantes para a mente, como tristeza ou ansiedade em situação de perigo, são eliminadas porque incomodam”, diz Montagna, que é presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Questões existenciais são tratadas como sintomas médico-psiquiátricos, com a colaboração de “uma avassaladora quantidade de dólares” gastos em publicidade pela indústria farmacêutica. “É frequente eu receber para tratamento pacientes com dosagens excessivas de medicação ou coquetéis de diversas substâncias, sem que os aspectos psicológicos tenham sido levados em consideração”, afirma o psicanalista, que também é formado em psiquiatria.
Por trás da precariedade do sistema de saúde e do modismo da medicação, existe a crescente incapacidade  as pessoas – e dos médicos – em conviver com um dos sentimentos mais enraizados da psique humana, a ansiedade. Ela está lá desde os primórdios do homem, associada a temores e ameaças indefiníveis. Embora desagradável, é um dos motores da existência. Faz parte da nossa constituição evolutiva. “Ela é um estado de alerta, um estímulo para produzir. O contrário da ansiedade é a apatia”, diz o psicanalista Eduardo Boralli Rocha. Totalmente diferente dessa ansiedade benigna é a combinação explosiva de urgência, competição e sentimento de exclusão que caracteriza o nosso tempo.
“As pessoas sentem que em algum lugar está havendo uma festa para a qual elas não foram convidadas e têm de correr atrás”, diz Boralli. Sigmund Freud, o criador da psicanálise, dizia que a ansiedade era o sintoma de algo que não estava bem resolvido interiormente. Ele diferenciava entre a
ansiedade produzida por uma situação externa real e aquela imaginada ou brutalmente amplificada por nossos medos interiores. A primeira não deveria ser medicada, mas ela tornou-se tão presente, tão avassaladora, que é isso que tem sido feito, em larga escala.
Um exemplo está na coleção de propagandas de ansiolíticos acumulada pelo professor Elisaldo Carlini, coordenador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Universidade Federal de São Paulo. São folhetos promocionais que os laboratórios deixam nos consultórios médicos. Um deles mostra uma mulher com um largo sorriso depois de tomar um remédio que corrigiu a ansiedade gerada por três bilhetes recebidos ao mesmo tempo: um do marido, avisando que chegará tarde para o jantar; outro do filho, dizendo que vai trazer o time de basquete para o lanche; e o terceiro da empregada, avisando que faltou ao trabalho porque foi a um posto de saúde. “Viver dá ansiedade, mas criou-se a cultura de que problemas cotidianos devem ser enfrentados com remédios”, diz Carlini. “As mulheres, principalmente, aprendem que precisam ser magrinhas e calminhas.”
Quando indicado segundo os melhores critérios, o Rivotril pode ser bastante útil no tratamento da ansiedade generalizada. O paciente vive angustiado, preocupado, nervoso. Dorme mal, não se concentra e se irrita por qualquer coisa. Sozinho, no entanto, o remédio não resolve o problema. O tratamento depende também do uso de outros recursos, como antidepressivos, psicoterapia e atividade física. O mesmo vale para o tratamento de outros transtornos, como síndrome do pânico, fobias e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).Enquanto os antidepressivos demoram cerca de duas semanas para começar a agir, o Rivotril age rápido, assim como outros ansiolíticos (Lexotan,Valium, Frontal etc.). A função desses remédios é ser uma ponte temporária até o início da ação dos antidepressivos. Ou um apoio. A síndrome do pânico, por exemplo, é tratada com antidepressivos. Quando o paciente enfrenta situações que podem provocar recaídas, é comum que o médico recomende que tenha o Rivotril sempre à mão.
 Esses remédios, no entanto, não devem ser usados por muito tempo e sem rigoroso acompanhamento médico. Eles podem causar dependência. Há pessoas que desenvolvem dependência em cinco anos. Outras se viciam em menos de 30 dias. Podem ocorrer crises de abstinência com a interrupção da droga. Os sintomas mais comuns são insônia, irritabilidade excessiva e tremores. Não há dose segura contra o vício. “Rivotril não deve ser remédio de uso contínuo. Deve ser reservado para as crises agudas e usado por no máximo seis semanas”, diz o psiquiatra Joel Rennó Jr., coordenador do Projeto de Saúde Mental da Mulher do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Na prática, muitos pacientes recebem a receita de Rivotril e passam meses sem ser vistos por um médico. Quando voltam a consultar um profissional de qualquer especialidade, dizem que o anterior receitou o remédio e se sentiram bem. Acabam saindo do consultório com uma nova receita.
A professora gaúcha Carmen Paula Pinto, de 40 anos, toma Rivotril há cinco,como parte do tratamento de transtorno bipolar. Reclama de efeitos colaterais como sonolência e boca seca. Mas o que mais a incomoda é o enfraquecimento da memória. “Quando leio um livro, muitas vezes tenho de voltar à mesma frase, ao mesmo parágrafo. Uma vez até cheguei a esquecer o que havia almoçado”, diz. Há três anos, decidiu parar de tomar o remédio por conta própria. Sentiu sintomas de abstinência, como tontura e falta de equilíbrio. Depois de alguns meses, decidiu voltar ao remédio. “Estou conformada em ter de depender do remédio por um bom tempo ou até para sempre.”
Carmen é acompanhada por um psiquiatra e compra o remédio de acordo com a orientação dele. Uma parcela dos consumidores chega ao remédio por meio de outros expedientes. “Muita gente consegue adquirir ansiolítico pela internet ou compra receitas em consultórios de quinta categoria”, afirma Rennó Jr. Em uma das pesquisas coordenadas por Elisaldo Carlini, do Cebrid, descobriu-se que um único médico fez mais de 7 mil prescrições de ansiolítico por ano.
Houve casos também de falsificação dos receituários. As receitas que ficavam retidas nas farmácias continham o mesmo número de série ou o CRM de médicos mortos ou inexistentes. Formas ilícitas de acesso ao remédio alimentam o uso recreativo de Rivotril. Ele virou um clássico nas baladas entre jovens que o misturam com ecstasy ou álcool. Há várias comunidades no site de relacionamento Orkut criadas por usuários dessa combinação. O Rivotril potencializa a função do álcool. Em doses excessivas, a mistura pode levar ao coma. Há outro tipo de uso, associado ao ecstasy e à cocaína, drogas que deixam as pessoas ansiosas. Elas tomam Rivotril para tentar neutralizar esse efeito. Segundo os especialistas, não adianta.
Por trás do crescimento das vendas do Rivotril há uma história de marketing que merece ser contada. Até 1999, o remédio era promovido entre os médicos apenas como um anticonvulsivante. Era um mercado restrito. Nos últimos anos, surgiram estudos que comprovaram que ele funcionava contra a ansiedade. O
fabricante passou a divulgar essa aplicação entre psiquiatras, cardiologistas, neurologistas, geriatras etc. “O sucesso do Rivotril é decorrência do aumento dos casos de transtornos psiquiátricos e do perfil único do nosso produto: ele é seguro, eficaz e muito barato”, diz Carlos Simões, gerente da área de produtos de neurociência e dermatologia da Roche. “E o baixo preço protege o produto.” O Rivotril é 600% mais barato que o seu principal concorrente, o Frontal, da Pfizer. Outra característica ajuda a explicar por que ele vende tanto. É o único de sua categoria disponível também na apresentação sublingual – gotas que agem rápido se colocadas embaixo da língua.
Na casa da aposentada Ecleide Moreira Rodrigues, de 60 anos, não pode faltar Rivotril. Ele é usado com duas finalidades distintas: o filho de Ecleide sofre de epilepsia e não fica sem o remédio. Há um ano, ela também virou adepta do medicamento. Não consegue dormir sem ele. Descobriu que a causa da insônia era estresse e depressão. Chegou a fazer psicoterapia e percebeu que passou a dormir melhor. Mas parou antes de receber alta. “Por relaxo”, diz ela. Em casos como o de Ecleide, a psicoterapia pode dar ótimos resultados.
Mas não costuma ser um percurso fácil. Para vencer a ansiedade não basta recorrer a umas gotinhas de Rivotril a cada crise. É preciso reorganizar a vida.

4 de out. de 2009

SAÚDE PÚBLICA: Uma luta para manter corpo e mente sãos Mais de 2 mil pessoas vão à Esplanada pedir avanços na política do governo para tratamento de doentes que dependem do SUS Por:Renata Mariz Empunhando faixas com dizeres como “Escutem nossas vozes” e “Temos o direito de viver livres”, cerca de 2 mil usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) na área mental, de todas as regiões do país, participaram de uma marcha na Esplanada dos Ministérios, ontem. Apesar de se posicionarem a favor da reforma psiquiátrica, iniciada no Brasil em 2001, após a aprovação de uma lei que determina o fechamento gradual de manicômios, os manifestantes apontaram problemas graves na condução da política, entre eles, a falta de Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), que são os substitutos dos hospitais fechados, só que numa forma de atendimento comunitária e aberta. Ao longo do dia, várias audiências foram realizadas em ministérios e no Congresso Nacional para o debate do tema. A ministra interina da Saúde, Márcia Bassit, considerou como legítimas todas as reivindicações do grupo e destacou que a pasta continuará t rabalhando para aperfeiçoar o sistema. “É preciso destacar que houve avanços, talvez não no ritmo que desejamos”, minimizou Bassit. Ela ressaltou a existência de 30 mil leitos ainda em manicômios no Brasil, mas lembrou que o número de CAPs vem aumentando, em torno de 1.400 pelo país. Os usuários, por sua vez, lembraram que a cobertura ainda é baixa, cerca de 60%. Cumprindo à risca o propósito do protesto, de dar voz aos usuários, eles próprios, além de representantes de organizações da sociedade civil engajadas na questão mental, que se dirigiam a Márcia durante a audiência. “Não sou especialista como vocês, minha única especialidade é sobreviver a cada dia. Então, reivindico que vocês, que estão investindo dinheiro no sistema, verifiquem o que está acontecendo, se esse recurso está sendo usado. Sou de Ribeirão Preto e lá só existe um Caps III (modalidade de CAPs que funciona 24 horas). Então, façam essa apuração, pois minha saúde depende disso”, discursou Fátima Fernandes Faria, arrancando aplausos. Além da falta de CAPs, estão na pauta de reivindicações do grupo o tratamento mais humanizado por parte dos profissionais da saúde, a apuração das mortes que ainda ocorrem dentro de manicômios, garantia de vagas para doentes mentais que cometeram crimes, atenção adequada nos sistemas de emergência, como o Samu, e reajuste do valor atual de R$ 320 para pacientes com internações de longa permanência beneficiados pelo programa federal De Volta para Casa, entre outros pontos. Outra cobrança do grupo é o cumprimento de uma promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de criar mil residências terapêuticas — para receberem pessoas que, de tanto tempo internadas, perderam todos os vínculos familiares e sociais — até 2011. A marcha em Brasília foi organizada pela Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (Renila), com o apoio do Conselho Federal de Psicologia.
E Salinas, que já consegue ser CAPS tipo II e conseguiu recursos e aprovação para Residencia Terapêutica e nada disso aconteceu??? Será que algum dia teremos ???